Honorários Advocacia Criminal 2026: Valores e Como Cobrar

Honorários advocacia criminal 2026 — balança da justiça com tabela de valores e guia prático para criminalistas
⚖️ Advocacia Criminal 📅 Atualizado: maio/2026 ⏱️ 12 min de leitura 📋 Prática

Honorários Advocacia Criminal 2026: Valores Reais e Como Cobrar

Quanto cobrar por uma defesa criminal? É a pergunta que paralisa muitos advogados — especialmente os iniciantes. A resposta envolve a tabela da OAB, sim, mas também a complexidade do caso, a fase processual em que você entra, o seu posicionamento no mercado e a realidade do cliente. Este guia reúne valores de referência reais, uma metodologia de cálculo que você pode aplicar hoje e os três erros de precificação que mais custam clientes e reputação.
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Cristiane Dupret
Advogada criminalista com mais de 15 anos de atuação em todo o Brasil. Mestre em Direito Penal (UERJ), fundadora do IDPB — Instituto Direito Penal Brasileiro. Já formou mais de 4.900 advogados no Curso de Prática na Advocacia Criminal. Professora, autora de obras jurídicas e referência nacional em execução penal e prática criminal.
Advogada OAB Mestre em Direito Penal +15 anos de atuação Fundadora do IDPB
Revisado em maio/2026. Considera as tabelas de honorários da OAB vigentes em 2025/2026 (OAB/MG, OAB/RS, OAB/BA, OAB/MT, OAB/PE e OAB/SP), o Código de Ética e Disciplina da OAB e o Estatuto da Advocacia (Lei n. 8.906/1994).

Por que cobrar bem importa: o valor do trabalho criminal

Quanto vale a liberdade de uma pessoa? A pergunta pode soar filosófica, mas ela está no centro de qualquer conversa sobre o que o criminalista cobra. Quem atua numa prisão preventiva urgente, num habeas corpus de madrugada ou na defesa perante o Tribunal do Júri não está apenas prestando um serviço técnico: está protegendo o bem mais precioso que alguém pode ter.

Essa realidade tem impacto direto na precificação. Cobrar o valor justo permite que você dedique o tempo necessário ao caso, contrate assistentes quando preciso, se mantenha atualizado com a jurisprudência e sustente uma estrutura compatível com o padrão que o cliente merece. Um advogado que cobra pouco demais atende mais, descansa menos e, no médio prazo, acaba atendendo pior.

Atividade-meio, não de resultado: O Estatuto da Advocacia (Lei n. 8.906/1994) e o Código de Ética da OAB são claros: o advogado presta um serviço, não garante um resultado. Os honorários são devidos independentemente do desfecho — absolvição ou condenação. Isso precisa estar no contrato, e o cliente precisa entender antes de assinar.

A tabela da OAB fixa valores mínimos de referência, não tetos. É expressamente lícito cobrar mais do que ela prevê. O que não se deve fazer é cobrar abaixo desses mínimos de forma sistemática — e mesmo o piso da tabela costuma ficar bem abaixo do que o mercado pratica quando o profissional tem autoridade consolidada.

No início da carreira, é comum e natural começar próximo ou até um pouco abaixo do sugerido pela tabela. O problema não é o ponto de partida — é quando essa condição vira postura permanente, não por estratégia, mas por insegurança ou por não saber colocar preço no próprio trabalho.

Valores de referência por ato em 2026

As tabelas da OAB variam entre as seccionais estaduais. Algumas fixam valores em reais; outras trabalham com Unidades Referenciais de Honorários (URH) atualizadas anualmente. Por isso, consulte sempre a tabela da sua seccional — os dados abaixo são referenciais extraídos das tabelas vigentes em 2025/2026 de OAB/MG, OAB/RS, OAB/BA, OAB/MT, OAB/PE e OAB/SP, e servem como ponto de partida, não como referência definitiva.

⚠️ Importante: Estes são valores mínimos de referência. O mercado — especialmente em capitais e com profissionais experientes — costuma praticar valores significativamente superiores. Use a tabela da OAB como piso, não como meta.
Ato / Serviço Faixa mínima de referência (OAB) Observação
Defesa em processo ordinário (1º grau) A partir de R$ 3.000 a R$ 5.000 Varia por seccional e complexidade
Habeas corpus (juízo ou tribunal) A partir de R$ 3.000 OAB/MG fixa R$ 3.000 como mínimo; capitais costumam ser superiores
Defesa no Tribunal do Júri A partir de R$ 5.000 a R$ 15.000 Inclui preparação, plenário e alegações; varia muito por caso
Revisão criminal A partir de R$ 4.000 OAB/MG fixa R$ 4.000 como mínimo
Relaxamento de flagrante / liberdade provisória A partir de R$ 2.000 a R$ 3.500 Urgência e horário influenciam o valor
Incidentes de execução penal (progressão, livramento, remição) A partir de R$ 1.500 a R$ 3.000 por pedido Nicho com receita recorrente — cada pedido é um ato separado
Recurso (apelação, RESE) A partir de R$ 2.500 a R$ 5.000 Deve ser contratado separadamente do patrocínio em 1º grau
Sustentação oral em tribunal A partir de R$ 2.000 a R$ 4.000 Ato próprio — contratação específica
Defesa em inquérito policial A partir de R$ 2.000 Inclui acompanhamento de oitivas e orientação ao investigado
Consulta jurídica A partir de R$ 300 a R$ 500 por hora Recomendada sempre que houver análise de matéria penal

Um ponto que merece atenção especial: a execução penal é um dos nichos com maior potencial de receita recorrente. Um cliente cumprindo pena longa pode precisar de pedidos de progressão de regime, remição por trabalho ou estudo, livramento condicional e habeas corpus ao longo de vários anos — cada pedido, um ato autônomo. O advogado que se especializa nesse nicho constrói uma carteira previsível e estável. Temos um guia completo sobre progressão de regime em 2026 que pode complementar essa leitura.

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Como calcular o que cobrar no seu caso

A tabela é ponto de partida, não destino. Para chegar num valor justo — para você e para o cliente — é preciso combinar pelo menos cinco variáveis:

1. Complexidade do caso e fase processual

Um processo em fase de inquérito exige um esforço muito diferente de uma defesa em plenário de Júri. Um habeas corpus contra prisão preventiva urgente tem peso diferente de um pedido de progressão de regime. A complexidade jurídica — quantidade de réus, volume de provas, teses disponíveis, instância em que você entra — precisa pesar diretamente no que você cobra.

2. Tempo real de dedicação

Faça uma estimativa honesta: quanto tempo você vai dedicar ao caso? Inclua leitura dos autos, elaboração de peças, deslocamentos, audiências, reuniões com o cliente e pesquisa jurisprudencial. Multiplique pelo valor que você quer receber por hora — e esse valor hora precisa cobrir seus custos fixos (aluguel, internet, anuidade OAB, softwares) com margem de lucro real.

3. Autoridade e especialização

Um advogado recém-formado e um criminalista com dez anos focados no mesmo nicho não podem cobrar o mesmo — e nem devem. Quanto mais você se especializa e constrói reputação, maior é o valor percebido pelo cliente. Investir em formação não é custo: é aumento direto do seu teto de cobrança.

4. Mercado e localidade

O que se pratica em São Paulo ou Rio de Janeiro costuma ser muito superior ao interior. Conheça o mercado da sua praça e não aplique parâmetros de outra realidade — nem para cima nem para baixo.

5. Capacidade econômica do cliente

O Código de Ética da OAB lista expressamente a condição econômica do cliente como critério de fixação dos honorários. Isso não significa cobrar pouco de quem não tem dinheiro — significa ter uma política clara de quando e como fazer exceções, sem deixar a exceção virar regra. Dica prática: cobre entre 30% e 50% do valor total como sinal no ato da contratação, antes de qualquer trabalho.

📊 Os cinco fatores que compõem o valor do seu trabalho

FatorComo medirImpacto
⏱ Tempo estimadoHoras × valor hora (mínimo R$ 300–500/h)Base de cálculo
⚠️ ComplexidadeJúri, organização criminosa, STJ/STF = multiplicador 1,5–3×Ajuste para cima
📍 Mercado localCapital vs. interior; referência da sua seccional OABDefine o piso
🏆 AutoridadeAnos de nicho, formação, resultados, presença digitalDiferencial de valor
📋 Tabela OABMínimo da sua seccional para o ato específicoPiso obrigatório

Um detalhe técnico que muita gente ignora: os honorários pactuados cobrem, salvo ajuste expresso no contrato, apenas o patrocínio em primeiro grau. Recurso de apelação, sustentação oral no tribunal, acompanhamento em carta precatória e incidentes processuais são atos autônomos — devem ser contratados e pagos separadamente. Nunca assuma que o cliente sabe disso. Coloque no contrato. Explique na primeira reunião.

🎬 Assista: Como cobrar na advocacia criminal — Cristiane Dupret

Como cobrar na advocacia criminal — Canal @CristianeDupret

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Contrato de honorários: o que não pode faltar

O contrato é a principal proteção do advogado contra inadimplência e conflitos com o cliente. O art. 48 do Código de Ética da OAB recomenda que os serviços sejam contratados previamente e por escrito, com fixação de valor, reajuste e condições de pagamento. A solenidade não é obrigatória — mas a falta de um documento claro abre espaço para disputas que custam energia, tempo e, às vezes, a própria relação com quem você estava defendendo.

O que incluir no contrato

📝 Checklist do contrato criminal

  • Identificação completa das partes (advogado e constituinte)
  • Descrição precisa do serviço: fase processual, instância, atos incluídos
  • Valor total e forma de pagamento (sinal + parcelas, datas, conta bancária)
  • Cláusula de atividade-meio: honorários devidos independentemente do resultado
  • O que NÃO está incluído: recurso, sustentação oral, precatórias, incidentes
  • Índice de reajuste (IPCA ou INPC) para contratos longos
  • Responsabilidade por custas processuais (geralmente do cliente)
  • Possibilidade de revisão se o caso se tornar mais complexo
  • Consequências da inadimplência: multa, juros, rescisão
  • Revogação do mandato: honorários integrais devidos se sem culpa do advogado

Uma dúvida muito comum entre iniciantes: é possível cobrar se o cliente foi condenado? Sim. E em caso de absolvição? Também. Os honorários remuneram o trabalho, não o resultado. A única exceção é quando as partes combinam uma remuneração variável condicionada ao êxito — o que em matéria criminal raramente faz sentido, já que “êxito” é difícil de definir com precisão num processo penal.

⚠️ Nunca aceite honorários em bens — imóveis, veículos, joias. A prática cria riscos jurídicos, fiscais e éticos difíceis de contornar. O pagamento deve ser sempre em moeda corrente, com documentação bancária rastreável.

E se o cliente não pagar? Com contrato assinado, você pode cobrar judicialmente — inclusive por execução de título extrajudicial. Sem contrato, a cobrança ainda é possível por arbitramento judicial, mas é muito mais trabalhosa e incerta. Por isso: contrato antes de qualquer trabalho. Sinal antes de qualquer peça.

📌 Base legal

O art. 22 da Lei n. 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia) garante ao advogado o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência. O art. 48 do Código de Ética da OAB trata especificamente da contratação por escrito e dos parâmetros a observar. Texto disponível em: Planalto.gov.br — Lei 8.906/1994.

3 erros de precificação que custam mais do que parecem

Depois de anos formando criminalistas no IDPB, ficou claro quais comportamentos comprometem mais diretamente a sustentabilidade financeira de quem atua na área. Se você se reconhecer em algum deles, esse é o momento de ajustar.

Erro 1: Cobrar menos por medo de perder o cliente

A lógica parece fazer sentido: se eu cobrar menos, o cliente me prefere ao concorrente. Na prática, é uma armadilha. O cliente que escolhe o advogado exclusivamente pelo preço mais baixo raramente respeita o trabalho, paga em dia ou indica outros clientes. E há um efeito colateral ainda mais sério: cobrar muito abaixo do mercado cria, inconscientemente, um sinal de baixa qualidade — o mesmo que acontece quando você vê um produto de marca famosa sendo vendido por um centavo.

Quando você pratica valores abaixo da tabela de forma sistemática, prejudica não só a si mesmo, mas todos os colegas que tentam profissionalizar a precificação na área. A tabela existe como proteção coletiva da classe — e ela começa no mínimo, não no máximo.

Erro 2: Não contratar separadamente os atos posteriores

Este é o erro mais comum e mais caro. O advogado fecha contrato por uma defesa “completa” e, quando o cliente é condenado e quer recorrer, descobre que “a apelação deveria estar incluída”. Não estava. Mas sem previsão expressa, o conflito começa — e quem perde, em geral, é o advogado: seja pelo constrangimento de cobrar o que não foi contratado, seja por fazer o trabalho sem receber.

A regra é simples: salvo acordo expresso, os honorários cobrem apenas o 1º grau. Recurso é ato próprio. Sustentação oral é ato próprio. Incidente de execução é ato próprio. Coloque isso no contrato e lembre o cliente ao longo do processo — não como ameaça, mas como gestão de expectativas.

Erro 3: Não reajustar os valores conforme a carreira evolui

Cobrar aos cinco anos de carreira o mesmo que se cobrava no primeiro é um dos erros mais silenciosos. A tabela da OAB é indexada — sobe todo ano. Seu conhecimento, sua rede e sua reputação também crescem. Os honorários precisam refletir essa evolução.

Uma boa prática: no início de cada ano, compare o que você pratica com a tabela atualizada da sua seccional e com o mercado da sua praça. Para novos clientes, ajuste de imediato. Para os antigos, uma comunicação clara e respeitosa sobre o reajuste costuma ser bem recebida quando vem de um profissional em quem confiam.

Como apresentar e negociar o valor com o cliente

Falar de dinheiro é difícil — mais ainda quando o assunto envolve a liberdade de alguém. Mas a habilidade de apresentar o valor com segurança é o que separa o advogado que cobra o que é justo do que perpetuamente faz concessões. Algumas diretrizes que funcionam na prática:

Apresente o contexto antes do número

Antes de falar em valor, mostre o que está em jogo. “Você está respondendo por um crime com pena de 4 a 12 anos. Meu trabalho é garantir que você tenha a melhor defesa possível, desde as audiências iniciais até eventual recurso.” Quando o cliente entende o risco, o honorário passa a ser percebido como proteção — não como custo.

Não se justifique, seja direto

Advogado que pede desculpa pelo valor sinaliza insegurança. Em vez de “eu sei que é muito, mas…”, diga: “O valor para este caso é R$ X, que cobre [escopo claro]. Recurso e incidentes são contratados à parte, se necessário.” Factual, sem defensividade, sem desconto embutido na apresentação.

Ofereça condições de pagamento, não redução de valor

Se o cliente não tem o valor integral, ofereça parcelamento — não desconto no honorário. Parcelar é uma concessão logística; reduzir é uma concessão de valor. Aceitar Pix, transferência e cartão de crédito cria flexibilidade real sem comprometer o total contratado.

E quando o cliente simplesmente não consegue pagar? Essa decisão é pessoal e estratégica. A advocacia pro bono é uma opção ética e legítima — mas deve ser uma escolha consciente, não uma pressão de circunstância. Para casos de comprovada insuficiência econômica, a Defensoria Pública existe exatamente para isso.

Se quiser ver o fluxo completo desde o primeiro contato com o cliente até a assinatura do contrato, recomendo também o nosso guia sobre advocacia criminal em 2026, que cobre captação, ética e os primeiros passos da carreira com muito mais detalhe.

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Perguntas frequentes

1. Existe uma tabela nacional de honorários advocacia criminal?
Não. As tabelas são elaboradas por cada seccional estadual da OAB e variam bastante. Algumas usam valores em reais fixos; outras adotam Unidades Referenciais de Honorários (URH) atualizadas anualmente. Consulte sempre a tabela da OAB do seu estado. O que ela fixa são mínimos de referência — cobrar mais é legítimo e usual no mercado.
2. O criminalista pode cobrar por êxito?
Pode, com previsão expressa no contrato. Em matéria criminal, porém, o “êxito” é difícil de definir objetivamente — absolvição, redução de pena e regime mais brando são critérios diferentes. Por isso, os honorários de êxito são bem menos comuns na área penal do que no cível ou trabalhista. O modelo mais seguro e usual é o honorário fixo contratado previamente.
3. O que acontece se o cliente não pagar?
Com contrato escrito, você pode cobrar judicialmente — inclusive por execução de título extrajudicial. Sem contrato, a cobrança ainda é possível por arbitramento judicial, mas é muito mais trabalhosa. Daí a importância de sempre ter o contrato assinado e o sinal pago antes de qualquer trabalho — sem exceção.
4. O contrato de honorários inclui o recurso de apelação?
Não, salvo previsão expressa. Por regra, os honorários contratados cobrem apenas o patrocínio em 1º grau. Recurso, sustentação oral em tribunal e incidentes processuais são atos autônomos que devem ser contratados separadamente. É um dos pontos que mais gera conflito entre advogado e cliente — por isso, precisa estar explícito no contrato desde o início.
5. Como cobrar em casos de execução penal?
Na execução penal, cada pedido incidental — progressão de regime, livramento condicional, remição, saída temporária — pode ser tratado como ato separado com valor próprio. Isso cria uma receita recorrente para quem se especializa nesse nicho. Algumas seccionais preveem valores mínimos específicos tanto para a defesa geral em execução quanto para pedidos incidentais de benefícios.
6. É obrigatório emitir nota fiscal pelos honorários?
Sim. Os honorários são receita profissional sujeita à tributação, seja o advogado pessoa física ou jurídica. A gestão fiscal dos honorários é tão importante quanto a precificação — consulte um contador especializado em escritórios jurídicos para estruturar isso corretamente desde o início.
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