Como a violência doméstica pode ser definida e como advogar?

Como a violência doméstica pode ser definida e como advogar?

O que é violência doméstica e como advogar?

Como a violência doméstica pode ser definida?

No Brasil, a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, é o principal instrumento jurídico para enfrentar essa questão.

Para advogados criminalistas, compreender a definição de violência doméstica e os principais aspectos legais é fundamental para oferecer uma defesa ou acusação eficaz.

Este artigo explora os principais aspectos da ação penal em casos de violência doméstica e oferece dicas práticas para advogados que atuam nessa área.

Se você já é nosso aluno do curso de prática na Lei Maria da Penha, não deixe de enviar suas dúvidas por lá.

Para um advogado criminalista, entender os diferentes tipos de violência doméstica é fundamental por diversas razões que influenciam diretamente na prática jurídica, tanto no apoio às vítimas, quanto na defesa de acusados.

Abaixo, explico de forma precisa e detalhada por que esse conhecimento é crucial.

Correta qualificação do crime

Primeiramente, a correta qualificação do crime depende do entendimento dos tipos de violência doméstica.

Violência doméstica pode manifestar-se de várias formas, como física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Cada uma dessas formas de violência possui características e consequências distintas, o que exige uma qualificação jurídica específica.

Por exemplo, a violência física pode ser tratada de forma diferente da violência psicológica ou sexual, tanto em termos de tipificação penal quanto nas penas aplicáveis.

Esse conhecimento permite ao advogado enquadrar corretamente o crime e buscar a justiça de forma adequada.

Preparação de uma defesa eficaz

Além disso, a preparação de uma defesa eficaz ou uma acusação robusta exige um profundo entendimento dos tipos de violência doméstica.

O advogado deve conhecer as nuances das leis aplicáveis a cada tipo de violência para construir uma estratégia jurídica sólida.

Isso inclui identificar as provas necessárias para sustentar a acusação ou a defesa, como laudos médicos para violência física ou registros de comunicação para violência psicológica.

Sem esse conhecimento, a argumentação jurídica pode ser frágil e insuficiente para garantir um julgamento justo.

Proteção das vítimas

Outro aspecto crucial é a proteção das vítimas.

Advogados que representam vítimas de violência doméstica precisam estar cientes dos diferentes tipos de violência para oferecer um aconselhamento jurídico adequado.

Saber identificar e entender a violência sofrida permite ao advogado orientar a vítima sobre seus direitos e as medidas protetivas disponíveis, como ordens de restrição, casas de abrigo, e suporte psicológico.

A correta orientação pode ser decisiva para a segurança e bem-estar da vítima.

Coleta e apresentação de evidências

A coleta e apresentação de evidências são etapas fundamentais no processo judicial.

Diferentes tipos de violência exigem diferentes tipos de evidências.

A violência física pode necessitar de exames médicos e fotografias, enquanto a violência psicológica pode requerer depoimentos de testemunhas e registros de mensagens.

Um advogado bem informado saberá quais provas são necessárias e como obtê-las, aumentando as chances de um resultado favorável no processo.

Empatia e compreensão

Além disso, a empatia e compreensão são qualidades essenciais para um advogado que lida com casos de violência doméstica.

Conhecer as diversas formas de violência permite ao advogado abordar os casos com a sensibilidade necessária, ganhando a confiança da vítima e oferecendo o suporte necessário durante o processo judicial.

Essa abordagem humanizada pode fazer uma diferença significativa no impacto emocional e psicológico da vítima durante e após o processo.

Educação e prevenção da violência doméstica

Por fim, advogados criminalistas podem desempenhar um papel importante na educação e prevenção da violência doméstica.

O conhecimento dos diferentes tipos de violência permite-lhes participar de iniciativas de conscientização e educação, ajudando a prevenir futuras ocorrências e promovendo uma sociedade mais informada e justa.

O que diz a Lei Maria da Penha sobre as formas de violência doméstica?

Segundo o artigo 7º da Lei nº 11.340/2006 são formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

I – a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;

II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;             (Redação dada pela Lei nº 13.772, de 2018)

III – a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;

IV – a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;

V – a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

O que é Violência contra a mulher ?

É qualquer conduta – ação ou omissão – de discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial.

Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como privados.

Violência de gênero

Violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição, produto de um sistema social que subordina o sexo feminino.

Violência doméstica 

Quando ocorre em casa, no ambiente doméstico, ou em uma relação de familiaridade, afetividade ou coabitação.

Violência familiar 

Violência que acontece dentro da família, ou seja, nas relações entre os membros da comunidade familiar, formada por vínculos de parentesco natural (pai, mãe, filha etc.) ou civil (marido, sogra, padrasto ou outros), por afinidade (por exemplo, o primo ou tio do marido) ou afetividade (amigo ou amiga que more na mesma casa).

Violência física 

Ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à integridade física de uma pessoa.

Violência institucional 

Tipo de violência motivada por desigualdades (de gênero, étnico-raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes sociedades.

Essas desigualdades se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais, como também nos diferentes grupos que constituem essas sociedades.

Violência intrafamiliar/violência doméstica 

Acontece dentro de casa ou unidade doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a vítima.

As agressões domésticas incluem: abuso físico, sexual e psicológico, a negligência e o abandono.

Violência moral 

Ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher.

Violência patrimonial 

Ato de violência que implique dano, perda, subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores.

Violência psicológica 

Ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.

Violência sexual 

Ação que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal.

Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com terceiros.

Consta ainda do Código Penal Brasileiro: a violência sexual pode ser caracterizada de forma física, psicológica ou com ameaça, compreendendo o estupro, a tentativa de estupro, o atentado violento ao pudor e o ato obsceno.

Fonte: CNJ

Principais Aspectos Legais para Advogados Criminalistas

1. Medidas Protetivas de Urgência

Um dos pilares da Lei Maria da Penha é a proteção da vítima através de medidas protetivas de urgência.

Advogados devem estar atentos às diversas formas de medidas protetivas, que podem incluir a proibição de contato do agressor com a vítima, afastamento do lar, suspensão de posse ou restrição do porte de armas, entre outras.

Solicitar medidas protetivas rapidamente pode ser crucial para garantir a segurança da vítima.

2. Atendimento Multidisciplinar

A Lei Maria da Penha prevê o atendimento multidisciplinar das vítimas, incluindo assistência médica, psicológica e social.

Advogados devem colaborar com outros profissionais e orientar as vítimas sobre seus direitos a esses serviços, garantindo um suporte abrangente.

3. Provas e Documentação

A coleta e preservação de provas são essenciais. Isso pode incluir laudos médicos, testemunhos, registros de chamadas, mensagens, e qualquer outra documentação que corrobore a violência sofrida.

Advogados devem orientar as vítimas sobre a importância de documentar todas as evidências possíveis.

4. Audiência de Custódia

Nos casos em que o agressor é preso em flagrante, a audiência de custódia é uma etapa crítica.

Advogados precisam estar preparados para argumentar pela manutenção da prisão preventiva, com base no risco que o agressor pode representar para a vítima. Isso se você atuar pela vítima. 

Se você estiver atuando a favor do acusado, clique aqui e saiba mais.

5. Acompanhamento Psicológico

Advogar em casos de violência doméstica exige sensibilidade e compreensão das complexas dinâmicas psicológicas envolvidas.

Orientar a vítima para o acompanhamento psicológico pode ser um diferencial importante, não só para a sua recuperação, mas também para o fortalecimento do caso judicial.

6. Educação e Sensibilização

Advogados devem buscar constantemente a atualização e a sensibilização sobre as questões de gênero e violência doméstica.

Participar de cursos, seminários e outras formas de educação contínua é fundamental para uma atuação eficaz e empática.

Dicas Práticas para Advogados Criminalistas que atuam em violência doméstica

  1. Estabeleça uma Comunicação Clara e Empática: A relação advogado-cliente em casos de violência doméstica deve ser baseada na confiança e na empatia. Escutar ativamente a vítima e mostrar compreensão pode ajudar a construir uma defesa mais sólida.

  2. Conheça a Lei Maria da Penha em Detalhes: Domine os artigos da Lei Maria da Penha e suas atualizações. O conhecimento profundo da legislação permite identificar rapidamente as melhores estratégias legais.

  3. Parcerias com Profissionais de Saúde e Assistência Social: Colabore com psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais para oferecer um suporte completo à vítima.

  4. Preparação para Audiências: Prepare-se meticulosamente para as audiências, antecipando possíveis argumentos da defesa e reforçando a importância das medidas protetivas.

  5. Use a Tecnologia a Seu Favor: Utilize ferramentas tecnológicas para organizar documentos, provas e comunicações. Softwares jurídicos podem ajudar a manter todas as informações acessíveis e bem-organizadas.

  6. Atualize-se Constantemente: Participe de cursos de capacitação e atualização, especialmente focados em prática na Lei Maria da Penha.

Conclusão

A atuação em casos de violência doméstica requer uma abordagem multidisciplinar e sensível.

Advogados criminalistas devem estar bem preparados, tanto juridicamente quanto emocionalmente, para lidar com as complexidades desses casos.

A compreensão detalhada da Lei Maria da Penha e a capacidade de oferecer um suporte abrangente são essenciais para garantir justiça e proteção às vítimas.

Se você é advogado e deseja se especializar na defesa e proteção das vítimas de violência doméstica, não perca a oportunidade de se inscrever no curso de prática na Lei Maria da Penha oferecido pelo Instituto de Direito Penal Brasileiro (IDPB).

Este curso oferece uma formação completa, com foco nas estratégias jurídicas e na sensibilidade necessária para atuar em casos tão delicados.

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Uma resposta

  1. Bom dia professora amada , nunca pensei que isso acontecia ,aqui fora de casa . A senhora e ótima , aprendi tanta coisa correta sobre a lei Maria da Penha .

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